Como usar a astrologia para a sua jornada de autoconhecimento
- 19 de jan.
- 5 min de leitura

Quando começamos a se familiarizar com o universo da astrologia, é comum que nossos interesses sejam voltados para saber mais sobre o nosso signo, lua e ascendente. Afinal, esses são temas que geralmente são mais comuns nas rodas de conversas e até mesmo na própria internet. Eu confesso que quando comecei o meu interesse pela astrologia foi exatamente assim. Eu queria saber mais sobre o significado desses posicionamentos que, até então, não era nada familiar pra mim.
Com o passar do tempo, a minha curiosidade sobre o que significava os outros pontos do meu mapa foi só aumentando. No meio de tudo isso, fui descobrindo uma paixão pela astrologia e, sobretudo, comecei a entender que na verdade esse conhecimento sabia mais sobre mim do que eu mesma. Ao longo desse processo, fui percebendo que a astrologia poderia ser uma forma de compreender mais sobre a minha vida, sobre o meu passado, o que eu poderia fazer no presente e quais ventos poderia esperar para o futuro. Foi através da aproximação com esse estudo que me reaproximei de mim mesma. Pude acolher minhas dores e vislumbrar novos caminhos que até então eram desconhecidos.
O IMPACTO DO CAPITALISMO NA JORNADA DE AUTOCONHECIMENTO
Durante a minha trajetória, eu também me vi perdida em diversos momentos. Fui percebendo de que na verdade conhecer mais sobre o meu próprio mapa não me traria respostas prontas sobre a vida, mas que eu teria muitas perguntas para fazer a mim mesma. Pois é. Eu precisei aceitar o fato de que exigiria bastante de mim olhar para a minha vida como nunca olhei antes.
É quase algo "natural", levando em consideração o contexto social em que vivemos hoje, buscar resoluções prontas. Estamos cada vez mais impacientes, ansiosas, cansadas e descrentes de que novas possibilidades de existir para além de resistir são caminhos possíveis. O capitalismo faz com que conhecimentos ancestrais como a astrologia sejam jogados no abismo da produtividade e nos obriga a buscar a qualquer custo atalhos necessários para se chegar ao “lugar de sucesso".
Já me adianto em lhe dizer: este não é um caminho possível para quem busca aprender astrologia e usar essa sabedoria na própria jornada de autoconhecimento. É preciso, antes de tudo, se despir das crenças, encrostadas em nossos corpos, impostas pela lógica da produtividade e alta performance. O céu não está nem aí — e nem deveria estar mesmo — para a busca incessante de sermos “a nossa melhor versão". Venhamos e convenhamos, o céu apenas é. A natureza apenas é o que é. Não nos cabe exigir de nós uma perfeição e nem mesmo usar a astrologia para alimentar a lógica de fazer sempre mais a fim de gerar mais resultados, mais dinheiro, mais glow.
A astrologia é um saber que simboliza os ciclos da natureza e de quais maneiras eles impactam em nossos ciclos internos. O tempo do céu é também o tempo do nosso corpo. Dito isso, é importante olharmos para essa sabedoria enquanto um conhecimento capaz de nos acompanhar ao longo de toda a nossa trajetória de vida, já que o autoconhecimento não é estático — é devir. Honestamente, desejo que possamos construir um território seguro para nos darmos a permissão necessária de sermos e acolhermos o céu que nos viu nascer: o nosso mapa natal.
O QUE ACONTECE NA TERRA REVERBERA NO CÉU
Não podemos desvincular o saber astrológico das questões sociais que nos atravessam. Sendo assim, ao falamos de autoconhecimento é importante compreendermos, mesmo que seja o básico, quais marcadores atravessam a nossa subjetividade (como raça, gênero, orientação sexual, classe social).
Um mapa astrológico não pode desconsiderar os fatores sociais que um indivíduo experiencia em sua realidade. Não podemos, de modo algum, individualizar o sofrimento e nos esquecermos de que na verdade essa é a forma que o sistema encontrou para retirar a própria responsabilidade dos adoecimentos que nossos corpos estão enfrentando. Sendo assim, ao olhar para o próprio mapa natal, ou seja, para a própria vida, é importante não se culpabilizar por demandas que não foi você quem criou. Autoconhecimento sem pensamento crítico sobre o mundo é apenas mais uma falácia para anestesiar corpos que foram dilacerados pelo sistema.
O autoconhecimento não deve ser um processo que nos desloca do coletivo. Sendo assim, não é cabível nutrir a ideia de que somos seres individuais e, por isso, tudo depende apenas da nossa força de vontade. É preciso estar entrelaçada ao coletivo para tornar a nossa jornada de autoconhecimento um processo ético e de responsabilidade consigo e com o mundo.
A ASTROLOGIA E A JORNADA DE AUTOCONHECIMENTO
Ao longo da minha prática pessoal e profissional dentro da astrologia, fui percebendo que o céu é como uma bússola que nos orienta para a construção de si. Podemos compreender o nosso mapa de nascimento como um propósito a ser vivido por nós. Aliás, o mapa simboliza a nós mesmas e a nossa história. Diante disso, é importante entender, antes de tudo, a linguagem astrológica para assim conseguir interpretar o que o nosso mapa tem a nos dizer. Ou seja, é preciso aprender a "falar astrologia” para construir diálogos com o nosso mapa de nascimento. Não é possível entender camadas profundas sobre a própria vida através da perspectiva da astrologia se não houver entendimento do que significa signos, casas, planetas, aspectos e tantos outros símbolos astrológicos.
Após compreender o básico sobre a linguagem da astrologia, é importante entender que os estudos não param. Sempre teremos novas perspectivas, novos insights e reflexões acerca do céu. Inclusive, eu acredito muito que para construirmos um bom repertório astrológico é necessário irmos além dos estudos da astrologia. É importante ler livros de outros assuntos, assistir filmes, peças, ouvir músicas, viajar, escutar, conversar, observar, viver.
Se por algum acaso você está começando no universo da astrologia e quer entender o básico da linguagem astrológica, tenho um ebook 100% gratuito explicando sobre os signos, casas, planetas e aspectos. Para baixá-lo, é só clicar aqui:
Depois de já estar familiarizada com a astrologia, é importante começar entendendo o básico do mapa:
Sol: sua identidade, subjetividade, seu maior foco e interesse, onde você tem mais potencial e vive a sua autenticidade;
Lua: suas necessidades emocionais, como se sente nutrida e cuidada e como transborda o seu cuidado e afeto para o outro;
Ascendente: sua aparência física, relação com o próprio corpo, saúde e motivação;
Meio do céu: propósito da sua vida, quais caminhos seguir, legado, carreira e responsabilidade social;
Fundo do céu: suas raízes, a base para você sustentar seu MC (meio do céu), relação com o passado e família;
Descendente: como você afeta e é afetado pelo outro, relacionamentos e parcerias.
Os pontos citados acima são considerados, ao meu ver, o começo dentro de uma jornada de autoconhecimento através da perspectiva da astrologia. É importante entender o básico antes de se debruçar em outras facetas mais complexas. Por exemplo, você consegue compreender a sua lua? Consegue observar quais são de fato as suas reais necessidades e desafios emocionais? Mergulhar profundamente na esfera das emoções faz parte do processo de autoconhecimento. Dificilmente conseguiremos entender o outro se não entendemos minimamente o nosso território íntimo. Portanto, se autoconhecer é uma forma de responsabilidade coletiva, já que se despertarmos a nossa potência interna seremos capazes de transbordá-la pro mundo.
Carrego comigo a certeza de que o céu é a bússola que nos orienta para uma jornada de dentro e de fora. É por isso que acredito na astrologia como uma sabedoria que deve ser usada para nos inspirar ao longo dos caminhos da nossa trajetória na terra.
.png)
Comentários